topo

Notas de imprensa

voltar voltar voltar...

Programa “Comida para Todos”, na Índia

Entrevista com Linda Pascotto, presidente da Fundação Prem Rawat

Muitas pessoas manifestaram interesse no programa modelo “Comida para Todos” (“Food for People” - FFP) da Fundação Prem Rawat (TPRF), cujas primeiras instalações em Bantoli, na Índia, foram inauguradas há quase três anos. Estas instalações, com cerca de mil metros quadrados, estão situadas numa área rural do nordeste da Índia e transformou-se numa parte central da vida e do bem estar de diversas aldeias da região. A presidente da TPRF, Linda Pascotto, regressou recentemente de uma visita a essas instalações e sentimo-nos felizes por poder compartilhar a entrevista que concedeu às pessoas que colaboram no “Inspire”.

Por favor, fale-nos um pouco da sua recente visita às instalações do “Comida para Todos”, na Índia.

Eu estava em Nova Deli e apercebi-me que tinha tempo suficiente para uma visita rápida e “não oficial” às instalações do “Comida para Todos”, que ficam a cerca de hora e meia do aeroporto de Ranchi, no Estado de Jharkhand. Desde o momento em que entrei no carro, senti que estava sendo levada para um mundo completamente diferente daquele em que vivo. Tudo o que me é familiar desvanecia-se rapidamente, à medida que o meu experiente condutor percorria as duras estradas, que iam ficando cada vez mais estreitas e esburacadas, aos ziguezagues e dando guinadas no volante para evitar bater noutros veículos, pessoas, vacas, cabras, galinhas e, sempre que podia, conduzia a grande velocidade.

O que levou a Fundação Prem Rawat a criar o “Comida para Todos”?

Este programa é o resultado da visão de Prem Rawat no sentido de ajudar pessoas carentes de uma maneira que lhes ofereça uma possibilidade de viver com independência e com dignidade. Há vários anos atrás, quando voou de helicóptero nesta área para falar em eventos, as crianças das povoações aglomeravam-se à volta do local de aterrisagem. Numa dessas visitas, Prem Rawat convidou as crianças a verem o helicóptero de perto e observou que, embora parecessem bem tratadas e felizes, eram muito, muito magras. Fez alguma pesquisa e ficou sabendo que estes indianos das áreas tribais tinham sido empurrados de novo para uma terra árida e rochosa, do nordeste da Índia, onde era muito difícil ganhar a vida. Ao longo dos anos, eles foram se adaptando o melhor que podiam mas tinham fome frequentemente devido à escassez de alimentos e padeciam de uma diversidade de doenças comuns a áreas rurais assim. As crianças, com frequência, tinham de trabalhar a troco de comida, em particular quando um ou ambos os progenitores estavam demasiado doentes para isto. Ficou tocado pelos sorrisos tímidos e pela curiosidade destas crianças mal nutridas e quis ajudá-las.

Qual foi a sua primeira impressão ao presenciar uma refeição?

Reparei que um grande grupo de crianças chegou uma hora antes para assistir a mais programas educativos de televisão que costumam passar diariamente, à hora das refeições. O FFP tem o único edifício com electricidade na área, e elas ficaram coladas à televisão de monitor panorâmico e às imagens e histórias de coisas que nunca poderiam ter imaginado. As crianças entraram vindas de todas as direções e, depois da refeição, saíram para a escola em pequenos grupos de amigos, de braço dado, muito animadas e felizes. Tinham tomado uma refeição de que gostaram muito e presenciaram coisas que as fascinaram. A vida era boa.

Fale-nos de como é a vida nessas vilas e qual a diferença que o “Comida para Todos” fez.

Há oito povoações que usam as instalações do FFP. Alguns aldeões têm de andar pelo menos cinco quilômetros para lá chegar. Eu visitei a povoação mais próxima, num fim de tarde, em conjunto com dois administradores locais do FPF, provenientes de nossa organização associada na Índia, a Fundação Premsagar. Com um conjunto de casas feitas a partir de lama, a cerca de um quilômetro do “Comida para Todos”, a povoação era a comunidade mais rural que eu tinha visitado na Índia. Os adultos estavam terminando as suas atividades de final do dia. Alguns levavam consigo para casa umas pequenas cestas com comida proveniente das reduzidas parcelas de terra onde cultivam o que podem. As crianças brincavam espalhadas por ali, nas pequenas vielas existentes entre as suas habitações.

Parecia uma cena normal de aldeia. Mais tarde, entretanto, descobri que durante os dois anos e meio que passaram desde que o FFP abriu, existia já uma enorme diferença em toda a comunidade. A vida dos aldeões melhorou gradualmente: têm mais conhecimento do que são os cuidados de higiene e, como consequência, menos doenças. Os adultos trabalham com mais regularidade e, no final do dia, têm alimentos para si e para as suas famílias. Agora, as crianças vão regularmente à escola.

Ao longo do tempo, como é que o programa se foi alterando para poder responder às necessidades das populações?

O programa ajusta-se às necessidades dos aldeões sob a orientação dos anciães das aldeias. Durante muitos meses, em cada dia, fornecemos duas refeições às crianças e uma aos adultos que estavam demasiado doentes para trabalhar. Como a saúde dos mais velhos foi melhorando, eles começaram a passar os seus dias a trabalhar e deixaram de ir alimentar-se ao FFP. Neste momento, decidiram que preferem fazer a refeição da noite em casa, por mais pequena que ela possa ser, com as suas famílias. Portanto, a comida é agora servida apenas uma vez por dia às crianças, aos doentes e às pessoas idosas. A hora da refeição diária varia de acordo com as mudanças sazonais dos programas escolares. Os anciães das aldeias determinam qual é a melhor hora de todos tirarem proveito do programa.

Teve ocasião para falar com algumas das crianças, com os pais ou com os anciães? Se teve, o que lhe disseram?

Sim, foi divertido falar com as crianças e alguns pais. No início, sentiam-se tímidos à minha presença, uma desconhecida alta, loura e que não falava a sua língua. Mas com a ajuda de um tradutor, as crianças começaram logo a fervilhar comentários entusiásticos sobre o quanto gostavam da comida, sorrindo felizes enquanto falavam dos seus alimentos favoritos. O arroz, o subgee ou o dahl, foram mencionados repetidamente. Era evidente que os programas de TV sobre a Natureza e outros programas educativos eram, também para elas, extremamente populares. Os pais, em poucas palavras, afirmaram que as refeições diárias trouxeram uma saúde melhor e estabilidade às vidas das crianças.

Que mais oferece o “Comida para Todos” além de uma refeição diária saudável?

Depois de falar quer com os aldeões quer com os administradores, fiquei consciente da grande diferença que fez eles poderem contar com alimentos saudáveis, com água potável e uma programação consistente. A refeição regular do FFP acaba por estruturar o seu dia de várias maneiras e faz do assistir às aulas uma norma. A higiene, a água fresca (que frequentemente levam para casa em pequenas quantidades), um maneira ordenada de terem comida e fazerem as refeições em conjunto, são exemplos de coisas fundamentais que antes faltavam nas vidas das crianças. Assim, e sem terem notado, elas têm agora alguma estabilidade nas suas vidas e isso, em conjunto com a comida nutritiva, abre a porta a novas possibilidades nos estudos e no futuro trabalho.

Há também alguns adultos que trabalham nas instalações e, com isso, não ganham apenas dinheiro para as necessidades das suas famílias, mas aprendem também cuidados de higiene, formas de preparar alimentos e organização. Outros trabalham nos campos que pertencem ao FFP, onde muitos dos alimentos são cultivados. Aprendem métodos bons de obterem colheitas de sucesso. Os alimentos básicos que não são cultivados na quinta são comprados nos mercados próximos e isso ajuda a economia local.

Para as crianças, os programas educativos de TV oferecem o único contacto que têm com outros povos, animais, paisagens, e maneiras de viver para lá do mundo das suas aldeias muito isoladas. E, com isso, vem a possibilidade de considerarem estudos posteriores e oportunidades novas. Caminhar ou montar uma velha bicicleta são os únicos meios de deslocação existentes naquelas estradas esburacadas. As povoações estão dispersas por toda a região, havendo muitos quilômetros entre elas, e a distância para vilas de maior dimensão é ainda maior. Para quase todos, as cidades estão completamente fora de alcance.

Parece, no entanto, que o “Comida para Todos” está desempenhando um papel relevante na possibilidade de um futuro melhor para essas pessoas.

Houve certamente progressos em direção a esse objetivo, mas não será alcançado rapidamente. O ritmo é lento e a mudança é lenta mas, no período relativamente curto em que as instalações estão abertas, já é possível notar a diferença. As crianças e os adultos ganharam peso e são mais saudáveis. Algumas das crianças começam a pensar em continuarem os seus estudos para além do nível elementar que está disponível localmente, mesmo que venha a implicar viverem longe de casa.

O FFP teve um começo claramente bem sucedido. Será que a Fundação está planejando construir instalações em outros locais, baseadas neste modelo?

A Fundação Prem Rawat e uma organização sua associada, a Fundação Premsagar do Nepal, começaram a construir umas instalações novas, numa área rural do Nepal. Alguns dos nepaleses envolvidos no projecto visitaram o FFP em Bantoli para compreenderem mais sobre o funcionamento de um programa assim e ver, por eles próprios, os padrões altos de qualidade que é preciso alcançar. A TPRF espera continuar a construir instalações assim noutras localidades. Acabamos por compreender que a visão de Prem Rawat: fornecer às pessoas necessitadas refeições nutritivas à base da culinária local é uma maneira de as ajudar a terem prosperidade de uma forma natural e digna. Com uma saúde e instrução melhores, as crianças crescem com muitas oportunidades para o seu futuro. O ciclo da pobreza foi substituído pela possibilidade de um futuro que não poderia ter sido imaginado antes do “Comida para Todos” ter chegado à sua área. Fazer parte deste original programa modelo, dá alento e é recompensador.


A Fundação Prem Rawat foi criada em 2001 por Prem Rawat, também conhecido por Maharaji, e tem a dupla missão de levar a sua mensagem de paz a pessoas do mundo inteiro e fornecer ajuda humanitária essencial para os necessitados. A Fundação associa-se a outras organizações humanitárias para  rapidamente fornecer  comida, água e auxílio no alívio em situações de desastre, nos locais onde são mais necessários. Para saber mais sobre as iniciativas humanitárias da TPRF, Prem Rawat e a sua mensagem de paz, por favor visite: www.tprf.org
Fonte: The Prem Rawat Foundation, +1-310-392-5700 ou pressrelations@tprf.org
Copyright © Palavras de Paz 2004-2009 | Reprodução permitida apenas mediante autorização expressa | CaMaSa